Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Hillsong pode tocar Michael Jackson?

Não há nada mais irritante que a política de "dois pesos, duas medidas". Os cristãos xiitas - quase homens-bombas quando questionados - são os que mais cometem o erro: é permitido às mulheres, por exemplo, usar maquiagem, jamais brinco; deve-se usar saia na igreja, mas para ir ao trabalho, aceita-se a boa e velha calça jeans. Se o pecado consiste em utilizá-la, por que flexionar a regra?

No campo da música, as flexões são as mesmas. Tocar forró - ritmo, digamos, 'picante' - não é pecado, ao contrário, é sinônimo de fervor na adoração. O rock, por sua vez, "foi feito pelo diabo", enchem a boca para maldizer. Os cantores clássicos - dentre estes, Vitorino Silva - gravaram versões de My Way, famosa na voz de Elvis Presley Sinatra, e ninguém questiona o porquê.

Agora é a nova geração xiita, semi-idólatra de David Quinlan e Hillsong, quem sofre na pele o efeito "dois pesos, duas medidas". No show realizado no Brasil em 2008, o grupo australiano de worship rock emendou descaradamente um trecho de Beat It, do Michael Jackson, na canção Break Free. Veja no vídeo abaixo e comprove:

Vídeo retirado do blog Mukamatrix

A dúvida que fica é: vão jogar pedra no Hillsong ou aprovar a atitude? Afinal, eles podem ou não tocar Michael Jackson?

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Dia Mundial do Rock com Whitecross!


13 de julho - você já deve ter ouvido - é o Dia Mundial do Rock. Muito contestado dentro das igrejas no passado, o estilo musical hoje é fichinha fácil dentro dos ministérios de louvor. Difícil encontrar uma denominação que ainda não tenha se rendido ao poderoso efeito causado pela combinação de guitarra distorcida, baixo e bateria.

A rebeldia do passado enfim cedeu à maturidade, dando-nos um mercado cristão consolidado, com (poucas) excelentes bandas. Do trash metal ao pop rock, temos bons representantes, reconhecidos dentro e fora do nicho gospel. Infelizmente, as majors da indústria fonográfica se apossaram do estilo, comercializando-o sob fórmulas pré-estabelecidas pouco criativas.

Como bem disse César Ricky Mendes, integrante da banda cristã de celtic rock Tehilim, "o rock dos anos 2000 é mais fraco que café gratuito de rodoviária. Celebramos mais pelo seu passado do que pelo seu presente" (leia mais do artigo publicado no Dot Gospel). Concordo que as grandes bandas ficaram no passado; talvez por isto, minha homenagem de hoje seja ao Whitecross.

Os fãs de Petra e Stryper que me desculpem, mas aprendi a gostar de rock ouvindo os solos deRex Carrol e o vocal gritado de Scott Wenzel. Criados em Chicago, na década de 80, em meio a uma emergente cena de heavy metal, encabeçada por nomes como AC/DC e Iron Maiden, o Whitecross explodiu minha cabeça com toda sua energia.

Nem há muito o que falar sobre o som do grupo. Ótimas baladas, muita virtuose nos solos e riffs que tentei por horas tocar ao violão. É ouvir e se apaixonar (aliás, apaixonar não, porque isto é coisa de emo; metaleiro 'acha irado' ou 'se amarra'). E sim, ao assistir à lista de reprodução abaixo, ignore os penteados da época!

ps: o Bride continua sendo minha banda cristã favorita de rock. Mas sobre eles eu escrevo em outra oportunidade.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Como lidar com a morte?

Rob Bell, autor do projeto Nooma, citado aqui no blog, em mais um de seus emocionantes, simples e sinceros vídeos. Mais uma vez: Cristianismo não é pompa e circunstância, é amor.



Assista à segunda parte de Mattew aqui.

Clipe do Oficina G3 integra grade da MTV

Finalmente um audiovisual cristão de qualidade vai parar na MTV. O videoclipe da canção 'Incondicional', presente no último disco do Oficina G3 - Depois da Guerra -, integra a grade de programação da MTV brasileira a partir deste sábado (11).

Parabéns ao Hugo Pessoa, diretor do vídeo, pelo trabalho de qualidade, todo filmado em película. O LAB Br MTV, programa no qual o clipe será exibido, vai ao ar todos os sábados e domingos, das 11 às 12h. Para quem ainda não conferiu a obra, segue o belíssimo resultado:


Fonte: MK News

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

O melhor disco de rock cristão de todos os tempos!

Há 20 anos nascia o Resgate. Fruto da amizade de Zé Bruno, Hamilton, Marcelo e Jorge Bruno, a banda de rock formada por bispos da Renascer se tornou uma das grandes referências de autenticidade no meio cristão. Do clássico ao alternativo, o Resgate se fez conhecer pela qualidade de suas composições.

Integrante do expoente movimento de rock cristão paulista do início dos anos 90 - do qual também fizeram parte Oficina G3 e Katsbarnéa - o Resgate lançou três bons discos: Vida, Jesus e Rock'n'Roll (1991), Novos Rumos (1993) e On The Rock (1995).

Os solos virtuosos e os riffs que passeiam entre o heavy metal e o hard rock, juntamente ao timbre de voz enrouquecido de Zé Bruno, criaram hits instantâneos para a geração de jovens sedentos por liberdade. As letras foram além da religiosidade, refletindo pela primeira vez o estilo de vida da nova geração.



Passados os três primeiros discos, o grupo opta pelo silêncio por dois anos. E nestes dois anos o mundo absorve a criação de um novo gênero: o British Pop. Os riffs agressivos dão lugar às melancólicas guitarras criativas de Oasis, Blur e Radiohead.

Sabiamente adaptado a este contexto, o Resgate lança o melhor álbum de rock cristão de todos os tempos: Resgate (1997) mostra que a banda voltou para si mesma, para suas origens, deixando de lado o ranço oitentista que ainda acompanhava os grupos emergentes do movimento de rock cristão nacional - do qual o Katsbarnéa nunca conseguiu se desvencilhar - para visitar décadas ainda mais antigas.

É inevitável não perceber, por exemplo, influência do rock dos anos 60 neste álbum. Em 1997 o Resgate dava dois passos à frente; na vanguarda do que posteriormente seria assimilado pela nova geração como indie rock.


O Hamilton já soube solar melhor...

Os integrantes amadureceram, tornaram-se bispos, adquiriram uma responsabilidade maior nas igrejas que congregam e, naturalmente, a carreira ficou em segundo plano. Um disco 'praise', um acústico, outro fraco, um ao vivo e, apenas em 2006, o Resgate volta à boa forma: Até Eu Envelhecer, álbum que sela o tecladista Dudu Borges como integrante da banda, traz um Resgate moderno e vintage ao mesmo tempo.

Com órgãos expressivos, guitarras mais soltas e um tom despretensioso, o disco coloca a banda novamente no posto que merece: o topo da cena de rock cristão do Brasil. Vida longa ao Resgate! Que venham mais 20 anos pela frente (com criatividade, é claro!).


Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Tributo a Michael Jackson

Em primeiro lugar, este é um blog sobre música cristã.
Era apenas uma noite de domingo de 1991 quando, após voltar do culto, aos cinco anos de idade, vi um homem branco, de cabelos longos e negros, utilizando colete e camisa regata brancos, calça preta e sapatos de mesma cor na televisão. Da mistura de guitarra distorcida, bateria eletrônica e dança frenética, guardei apenas o grito recorrente e uma bela melodia. Era Black or White.

Vieram os especiais de fim de ano e, enquanto a maior parte se divertia com os brinquedos distribuídos no Amigo-X da família, gastava tempo em frente à televisão observando os passos daquele desconhecido. Algo de mágico havia na dança de Michael Jackson, que com uma alegria ímpar desafiava a gravidade com seu moonwalking. Gastei toda a sola de meus tênis em frente ao espelho de casa. Sem sucesso.

Poucos anos depois, reconheci a voz do amigo de Macaulay Culkin - este era minha referência na época - na trilha sonora de Free Willy. Will You Be There ressoou por anos dentro de minha cabeça. Foi fácil reconhecer o mesmo arranjo de piano feito por Emerson Pinheiro (este, por sinal, só parece criativo enquanto você não conhece suas fontes) em Jesus É O Rei, da Fernanda Brum.

Foram precisos mais alguns anos até que eu me interessasse realmente por música de qualidade. E não tardei em descobrir Off The Wall, de 1979, disco de estreia do Michael Jackson. Estava selado meu respeito eterno ao músico, cantor, compositor, ator, publicitário, escritor, produtor, diretor, coreógrafo, dançarino e empresário. O título de Rei do Pop, hoje compreendo, não é obra de marketing, mas fruto de um trabalho merecido.

Se os Beatles foram responsáveis por revolucionar o conceito de rock existente na década de 60, Michael Jackson criou o que hoje delimitamos como pop. Não há como pensar em indústria musical sem fazer referência a Thriller, o pai dos clipes bem coreografados, à identidade visual, às roupas e tudo mais que agrega valor à marca 'Michael Jackson'.

Mais que isso, é impossível ouvir sobre sua morte e não se emocionar. Como bem disse Willian Wack no Jornal da Globo: "a vida de Michael Jackson é um retrato da nossa sociedade". Assim como os homens do século XXI, MJ não parte desta para uma melhor. Mesmo sendo gênio, não aprendeu que a beleza da vida está na simplicidade das pequenas coisas: com sua excentricidade, destruiu o sorriso de menino negro dos tempos de Jackson Five.

Sim, este continua sendo um blog sobre música cristã. Mas não há como pensar música sem citar Michael Jackson.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Por trás dos microfones: Leonardo Gonçalves


Leonardo Gonçalves, maior exponente da música cristã contemporânea no Brasil, cumpriu uma promessa antiga e está detalhando a história de cada uma das canções presentes em seu mais recente trabalho, o genial Viver e Cantar.

Para quem assistiu três vezes (eu) ao documentário presente no DVD homônimo, vale a pena conhecer detalhes ainda não contados, como a fascinação de Léo pelo trabalho de João Castilho. O cantor convidou o músico para Moriá após pensar em uma frase de guitarra característica dos trabalhos de Castilho (ouça a canção aqui).

Se interessou? Acompanhe o blog do Léo!